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Sustentabilidade: Usina Caeté apoia projeto de reaproveitamento da casca do siri na produção de adubo orgânico

O projeto desenvolvido por mulheres do município de Jequiá da Praia ganhou o primeiro lugar num concurso internacional

A Usina Caeté recebeu nesta terça-feira, dia 22, a visita da presidente da Associação Mulheres em Ação de Jequiá da Praia – Amaje, Eliane Farias de Souza e de Nailza Maria dos Santos, suplente do Conselho Fiscal da instituição.

Na ocasião, as dirigentes da Amaje foram recepcionadas pelo diretor Administrativo, Paulo Couto e pela coordenadora ambiental, Fátima Araújo. A Usina Caeté cedeu uma área da fazenda Morro, em Jequiá da Praia, litoral Sul de Alagoas, para a associação desenvolver suas atividades de produção de adubo orgânico a partir da casca do siri.

A Amaje conta atualmente com 136 associadas, e comemorou um ano de fundação este mês. Segundo a presidente Eliane Souza, tudo começou em 2021, quando algumas mulheres que trabalham diretamente com a pesca foram convidados para representar a Lagoa de Jequiá num evento em Tamandaré/PE, organizado pelo Projeto Terra Mar, a Rede Costa dos Corais e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. O evento contou com a participação de pescadoras de todo o Brasil e permitiu o intercâmbio de informações. “Mulheres de vários lugares tiveram a oportunidade de analisar problemas e buscar soluções. Assim o projeto começou a ser elaborado”, afirmou.

Reconhecimento – o problema causado pelo descarte indevido da casca do siri na Lagoa de Jequiá transformou-se num projeto de sustentabilidade, reconhecido internacionalmente em um concurso promovido pela Espanha. “Tomamos conhecimento do edital e fizemos a inscrição. No final de março, a Embaixada entrou em contato conosco informando que o projeto foi o primeiro colocado do Brasil, entre os 482 grupos de mulheres que participaram”, ressaltou Eliane Souza.

Das 136 associadas da Amaje, 29 estão diretamente ligadas ao processo de reaproveitamento do crustáceo, que compreende as etapas de recolhimento das cascas, secagem, trituração em máquina forrageira, finalização com a adição de ‘cama de frango’ [forração disposta no piso do aviário e bastante rica em nutrientes, a exemplo do nitrogênio]. “A casca de siri possui inúmeras possibilidades de reaproveitamento. além do adubo orgânico, pode servir para a produção de medicamentos, confecção de ‘plásticos’ que embalam frutas e verduras, entre outros. “Inicialmente, a dificuldade foi recrutar as mulheres, por ser um trabalho muito pesado e desgastante”, afirmou Eliane Souza, lembrando que o início do projeto ocorreu de forma bem artesanal, onde um pequeno grupo de cinco mulheres utilizava seus próprios utensílios para o trabalho e um liquidificador para triturar as cascas do siri. O dinheiro da premiação permitiu que as associadas comprassem um barco a motor, a máquina forrageira e alguns outros itens utilizados no processo de produção do adubo orgânico.

A dirigente da Amaje iniciou a testagem do adubo orgânico nas próprias plantas e os resultados foram bastante satisfatórios. “Apresentei os testes ao professor Marcos Pinheiro que orientou o curso em Tamandaré, e ele falou que se esse adubo fosse utilizado nos canaviais poderia fazer muito sucesso.” Presentes na reunião, o Gestor de Planejamento Agrícola, Vinícius Gomes e a tecnóloga de Alimentos, Taciane Mendes de Amorim Gomes, receberam as cópias dos laudos das análises já realizadas do composto orgânico para uma avaliação posterior. O professor Marcos Pinheiro acompanha até hoje o projeto, que já está sendo devidamente patenteado.

Uma das dificuldades encontradas pela Amaje ocorre no período de chuvas, pois a casca do siri precisa ser exposta ao sol para secar. “Em maio veio a chuva e ficamos sem ter onde secar a casca do siri, causando a perda de muito material. Com o apoio da Usina Caeté na cessão dessa área, apostamos no crescimento do nosso projeto”, afirmou Eliane Souza.

Durante a reunião, a coordenadora ambiental Fátima Araújo recebeu um porta joia feito a partir da fibra de bananeira, um trabalho que também vem sendo desenvolvido pelas associadas da Amaje visando diversificar as atividades. “Temos o adubo, o artesanato e recolhemos o óleo de cozinha para a produção de sabão, assim evitamos que esse produto também seja descartado na lagoa, agravando os índices de poluição.” Ainda segundo a presidente da Amaje, o volume de casca de siri jogado diariamente no recurso hídrico é muito grande, apesar do trabalho de educação ambiental realizado em parceria com técnicos do ICMBio. “Só em janeiro deste ano foram descartadas cerca de quatro toneladas de casca de siri na Lagoa de Jequiá.”

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O diretor Administrativo da Usina Caeté, Paulo Couto, parabenizou as atividades desenvolvidas pela associação e acenou com a possibilidade de a empresa apoiar a Amaje na busca de novas parcerias com instituições que possam contribuir significativamente para alavancar o projeto. “Vocês promovem uma iniciativa extremamente sustentável! Após uma análise do setor Agrícola, iniciaremos alguns estudos para utilizarmos esse adubo orgânico nas mudas pré-brotadas da Caeté”, finalizou.

A gerente de Gestão de Pessoas, Marta Luciana Sampaio, e a publicitária Amanda Karla Rocha também participaram da reunião.

Ascom Usina Caeté

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